segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Cancro do intestino grosso (cancro do cólon e cancro do recto)

No cancro do intestino grosso (cólon e recto) algumas células anormais multiplicam-se e formam quer uma área ulcerada, que sangra facilmente, quer uma constrição, que impede a passagem das fezes. Se a evolução normal prosseguir, a doença dissemina-se ao longo da parede abdominal e, através dela, aos órgãos abdominais adjacentes; pode também invadir a circulação sanguínea e afectar outras zonas do organismo. A causa dos tumores malignos do intestino grosso é desconhecida, mas parece ser factor importante uma dieta altamente refinada, com poucos resíduos.

Quais são os sintomas?
O principal sintoma, que não deverá ser negligenciado se tiver duração superior a 10 dias, é uma alteração no tipo de movimentos intestinais – tanto aumento de obstinação como de diarreia. A presença de sangue nas fezes deve ser igualmente sempre referida ao médico; não parta do princípio de que a causa são simplesmente hemorróidas.
Pode haver, também, sintomas vagos de indigestão e dores, acompanhadas de hipersensibilidade da zona inferior do abdómen. Por vezes, o sintoma fundamental é a presença de um único nódulo, algures no quadrante inferior direito do abdómen. Acontece ainda que, por vezes, não há sintomas até que o cancro se revela por uma obstrução intestinal, ou uma peritonite resultante da perfuração do cólon.

Qual a frequência do problema?
O cancro do intestino grosso ocupa o terceiro lugar entre todas as formas de cancro. Representa cerca de um sétimo das mortes por cancro. Em cada ano esta situação é diagnosticada em mais de uma pessoa em cada 1500.

Quais os riscos?
Tendo em conta que os tumores malignos do intestino grosso se desenvolvem e metastizam bastante lentamente, tem 80% de probabilidades de obter cura completa, se a doença for diagnosticada precocemente. Se a disseminação tumoral já ultrapassou o intestino, as perspectivas são muito menos favoráveis.

Que deve fazer-se?
Se tem qualquer dos sintomas acima mencionados, consulte o seu médico, que examinará o abdómen e introduzirá um dedo, depois de calçar uma luva, no recto, a fim de averiguar a possível existência de um tumor rectal. Poderá ser igualmente necessário recolher amostras de matéria fecal para estudo laboratorial. Se o médico suspeita de cancro – ou no caso de um tumor benigno do intestino grosso - , terá que se submeter, no hospital, a certos exames auxiliares de diagnostico, como clister opaco, sigmoidoscopia e colonoscopia, possivelmente.

Qual o tratamento?
A cirurgia é o melhor tratamento possível para este tipo de cancro, se a sua evolução não for muito avançada. Se o cancro é no cólon, o tecido canceroso é extraído juntamente com uma porção do cólon normal de cada lado do tumor, sendo depois suturadas topo a topo as duas extremidades de intestino. Esta operação é denominada uma «ressecção intestinal». Se o cancro se localiza no recto, e geralmente necessária uma colostomia. Se o cancro estiver muito disseminado para ser operado, a sua evolução pode ser interrompida com frequência através de radioterapia e drogas citotóxicas (ou só por estas).

Quais as perspectivas a longo prazo?
As perspectivas são excelentes, em pessoas com cancro do intestino grosso, se a situação é detectada em fase precoce, sendo praticável a operação.
A maioria das pessoas que foram operadas devido a cancro do intestino grosso continuam vivas e saudáveis ao fim de cinco anos ou mais. A percentagem de cura para os pacientes que fizeram apenas radioterapia e tratamento com medicamentos é inferior.   
Transcrito e editado para o blog por Eunice Tomé

domingo, 30 de janeiro de 2011

Cancro da mama

CANCRO DA MAMA: FACTORES DE RISCO
O cancro da mama é um problema de saúde pública que, apesar de não ser dos mais letais, tem uma alta incidência e uma lata mortalidade, sobretudo na mulher (apenas 1 em cada 100 cancros se desenvolvem no homem). Actualmente em Portugal com uma população feminina de 5 milhões, aparecem 4.500 novos casos de cancro da mama por ano, ou seja 11 novos casos por dia, morrendo por dia 4 mulheres com esta doença.
Para obviar a este estudo calamitoso, o auto-exame, o exame clínico e a mamografia são meios para um diagnóstico precoce. São conhecidos alguns factores de risco para o cancro da mama, muito associados aos estilos de vida e a características reprodutivas inerentes à vida moderna e ocidentalizada. De notar que 5 a 10% dos cancros da mama diagnosticadas apresentam características genéticas e hereditárias que, caso sejam confirmadas, obrigam a um acompanhamento mais precoce e cuidadoso das familiares
A grande dificuldade em diminuir a prevalência dos factores de risco para o cancro da mama justifica uma prevenção secundária, isto é, que sejam concretizados procedimentos e atitudes de um diagnóstico o mais precoce possível das lesões malignas.
Estes incluem o controlo rigoroso e periódico por mamografia e, quando adequado, ecografia, recorrendo ao aconselhamento pelo Medico Assistente, sobretudo a partir dos 40-45 anos.
Em zonas onde já exista Rastreio Organizado, todas as mulheres entre os 45 e os 65 anos deverão corresponder ao convite feito pela Liga Portuguesa Contra o Cancro em cooperação com os Centros de Saúde e Médicos de Família.
Por outro lado, qualquer lesão confirmada deverá ter uma resposta adequada e atempada nas instituições hospitalares. Por último, não devera ser esquecidos que existem já disponíveis técnicas cirúrgicas de reconstrução mamária, indispensáveis para uma melhor qualidade de vida através da melhoria da auto-imagem e do auto-conceito da mulher, que se repercutirá no relacionamento com os seus familiares, os quais desempenham um papel extremamente importante no apoio aos doentes com esta patologia.
MAMA: AUTO-EXAME
O auto-exame deve ser feito uma vez por mês, na semana seguinte ao período menstrual. Ponha uma das mãos atrás da cabeça e utilize a outra para palpar a mama do lado oposto. Com os dedos esticados faça movimentos percorrendo a mama desde a área próxima da axila ate aos mamilos. Repita os mesmos passos para a outra mama. Procure por alterações de consistência, tamanho e aparência da mama e por corrimento a partir do mamilo.
Onde deve fazer o auto-exame:
No banho
O sabão facilita o deslizamento dos dedos e, por conseguinte, a detecção de alterações na mama.
ou Deitada
Para facilitar o auto-exame pode aplicar um gel ou creme sobre as mamas.
e Em frente ao espelho
Verifique se há diferenças entre o formato, tamanho e aparência das duas mamas e se surge corrimento pressionar os mamilos.

Utilize este movimentos
Há três tipos de movimento que devem ser realizados na altura do auto-exame.
Vertical: a mão percorre a mama verticalmente , num movimento para cime e para baixo, cobrindo toda a extençao da mama.
Espiral: com movimentos concêntricos, a mão parte da periferia da mama até chegar ao mamilo.
Quadrantes: num movimento de vaivém, a mão vai do mamilo até à periferia da mama e retorno ao mamilo.
CANCRO DA MAMA: RASTREIO
Nas actividades relativas à prevenção do cancro da mama, destaca-se, desde 1986 a Rastreia de Cancro da Mama na Região Centro, da iniciativa da Liga Portuguesa Contra o Cancro, que tem permitido o diagnostico de centenas de cancros em fase inicial e, consequentemente, curáveis ou controláveis.
Na verdade, com o Rastreio do Cancro da Mama pretende-se não só um diagnostico precoce, descobrindo tumores muito pequenos, muitas vezes não palpáveis e só vistos em mamografia ou ecografia ou em fase evolutiva não invasiva permitindo assim tratamentos menos mutilantes (cirurgia conservadora) e menos traumatizantes e uma sobrevida livre de doença e global mais longa.
Por exemplo, para melhor avaliação da importância do Rastreio, bastará comparar um tumor que tenha menos de 2 cm de diâmetro tem uma sobrevida aos 10 anos de 85% e um tumor disseminado, com lesões noutros órgãos terá uma sobrevida aos 10 anos menor de 15%.
O Programa de Rastreio (com a estreita colaboração dos Cuidados de Saúde Primários) cobre actualmente toda a Região Centro.
Utiliza unidades móveis (sobretudo) e fixas, que se deslocam de 2 em 2 anos aos concelhos, enviando convites pessoais às mulheres em idade rastreável (45-69 anos) inscritas nos Centros de Saúde para realizar uma mamografia.
Esse exame radiológico é estudado por 2 radiologistas que, em caso de alguma dúvida, chamam a mulher a uma consulta clínica de aferição. Se subsistirem duvidas, são encaminhadas para instituições hospitalares onde realizarão um diagnosticam final e, caso a suspeita se confirme, serão rapidamente tratadas.
O Rastreio de Cancro da Mama é dirigido a mulheres com idade compreendida entre os 45 e os 69 anos (se ainda não atingiu os 45 anos deve procurar ser seguido pelo seu medico de família ou ginecologista).
Deve ser repetido cada 2 anos, quando a Unidade Móvel de Mamografia se desloca ao seu concelho.
Escrito e editado para o blog por Mark Simões

sábado, 29 de janeiro de 2011

Eu como fruta e vegetais!

Comendo bastante fruta e vegetais pode reduzir-se o risco de cancro para metade em relação a todos aqueles que têm dieta pobre nestes alimentos.

As pessoas são o que comem!
O nosso bem-estar físico está largamente dependente de uma boa alimentação.
Nos aderimos aos hábitos alimentares adquiridos em casa durante a nossa vida; a base de uma vida saudável é alicerçada desde a infância através de uma dieta variada e saudável.
Embora se divulgue com profusão tipos de comida que possam causar cancro, na realidade sabemos mais sobre o que pode ajudar a preveni-lo. Os mais importantes destes alimentos são os vegetais e fruta. Existem evidências claras que uma dieta rica em fruta e vegetais está associada a uma vida saudável.
Os vegetais são ricos em vitaminas, micronutrientes e fibras. Contêm, entre outras substâncias, anti-oxidantes e flavenóides, que ajudam a prevenir numerosas doenças tais como o cancro e doenças cardiovasculares.
O conteúdo energético dos vegetais é baixo, p+elo que podem ser consumidos em grandes quantidades sem riscos de uma obesidade indesejada e inconveniente pelos factores negativos que acarreta. A variedade é a grande força dos vegetais e da fruta. É fácil comer o suficiente sem nos saturarmos. Podemos comê-los quer preparados como um parto principal ou complementando outras refeições.
Se tem fome entre as refeições pode comer fruta em vez de chocolate. E assim sucessivamente, pode provocar uma alteração no seu regime alimentar.
Os vegetais e a fruta são alimentos muito saudáveis e com uma variedade tão grande que quase toda a gente tem a possibilidade de encontrar qualquer coisa que agrade ao seu paladar. Uma pessoa gosta de nabos, outra de tomate, outra de couves, ou então gostamos de peras ou maças. Não gostamos de cerejas, mas gostamos de uvas.
Enfim, há um sem número de paladares à nossa disposição que só quem não quer não adere a este tipo de alimentação saudável. Podemos afirmar que não há escassez de alternativas: existe sempre uma variedade quase infinita de cores, formas, tamanhos e sabores ao nosso alcance, que nos ajuda na prática de uma alimentação saudável.


6x ao dia
Deve comer cinco a oito suplementos todos os dias, de fruta ou vegetais. Uma média de seis é boa. Constitui um suplemento: um tomate grande; uma chávena de vegetais cozidos; uma peça de fruta; uma taça de morangos ou cerejas; uma colher de geleia; um copo de sumo; uma cenoura; uma porção de grelos (couve ou nado); duas ou três rodelas de pepino, etc.
Quanta fruta e vegetais devo comer?
O conselho é dado normalmente em termos de porções ou de classes. De uma maneira geral, uma porção de fruta ou vegetais é uma única maçã, pêra, laranja ou banana, e quantidade equivalente de outras frutas mais pequenas ou por exemplo uma chávena de vegetais cozidos.
A quantidade de vegetais a ser incluída na dieta diária pode ser ilustrada usando apenas como exemplo um “prato modelo”. As proporções definidas podem ser adaptadas a outro tipo de cozida, como sopas, gratinadas ou cozidos.
Uma refeição pode ser composta por meio prato com vegetais, legumes gratinados ou cozidos, conforme prefira, peixe ou carne, deixando ainda espaço para batata, arroz ou massa. Algumas fatias de pão e uma sobremesa de fruta fresca tornam a refeição completa.
As crianças e os adolescentes precisam de um acompanham, então mais cuidado na sua alimentação, de preferência com acompanhamento específico. Esses cuidados vão beneficiar os jovens durante a chamada fase de crescimento e, melhoram o desenvolvimento e função do sistema nervoso, do sistema muscular e das glândulas.
Escrito e editado para o blog por Mark Simões

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Vírus do Papiloma Humano e Cancro do Colo do Útero


O vírus do Papiloma Humano (HPV) é um vírus cujo genoma é constituído por DNA circular de cadeia dupla. Foram identificados até à data mais de 200 tipos de HPV dos quais cerca de 40 afectam, preferencialmente, o trato anogenital: vulva, vagina, colo do útero, pénis e áreas perianais. De acordo com o seu potencial oncogénico, os HPV podem ser classificados como vírus de “baixo risco” ou de “alto risco”.
Dos cerca de 15 HPV de alto risco que podem infectar o tracto anogenital, dois deles são responsáveis por mais de 70% dos casos de cancro do colo do útero, estando também associados a alguns casos de cancro vulgar, vaginal, peniano e anal.
Os HPV de baixo risco estão associados ao desenvolvimento de verrugas genitais.

Transmissão da infecção
O vírus do Papiloma Humano é responsável por uma das infecções por transmissão sexual mais comuns a nível mundial.
As infecções genitais por HPV são, geralmente, transmitidas por via sexual através do contacto epitelial directo (pele ou mucosa) e, raramente, por via cervical, durante o parto. Estão também descritos alguns casos de transmissão por contacto urogenital. A exposição nos primeiros anos após o início da vida sexual é frequente, mas não é universal.
As mulheres com início precoce das relações sexuais e com múltiplos parceiros nos primeiros anos de vida sexual, ou com um parceiro que tenha múltiplos parceiros, apresentam um risco maior de contraírem esta infecção. 

Desenvolvimento do Cancro do Colo do Útero
O cancro do colo do útero, o segundo tipo de cancro mais frequente na mulher em todo o mundo, tem uma etiologia bem conhecida, relacionada com a infecção por HPV (aproximadamente, 100% dos casos de cancro do colo do útero estão relacionados com infecção por HPV).
A integração do genoma de HPV no DNA da célula hospedeira promove a instalação genética, originando a replicação anárquica das células com acumulação de mutações genéticas e o aparecimento de displasias de grau variável que podem, se não forem detectadas e tratadas, evoluir para carcinoma invasivo.
A infecção persiste por HPV tem um período de latência prolongado (20 anos ou mais). O cancro do colo do útero desenvolve-se lenta e progressivamente e a idade de maior incidência da doença é entre os 45 e os 55 anos.


A existência de um tumor maligno com história natural complexa, mas bem conhecida e associada a um vírus (HPV), em quase 100% dos casos, levou ao desenvolvimento de duas vacinas. Desde Dezembro de 2006 está comercializada em Portugal a vacina tetravalente (Gardasil ®), desenvolvida contra os HPV 16 e 18 (responsáveis por 70% a 75% de casos de cancro do colo do útero) e contra os HPV 6 e 11 (responsáveis por cerca de 90% de casos de verrugas genitais/ condilomas).
Desde Outubro de 2007 está também comercializada em Portugal a vacina bivalente (Cervarix ®), desenvolvida contra os HPV 16 e 18 (responsáveis por 70% a 75% de casos de cancro do colo do útero).

Ambas as vacinas estão recomendadas a raparigas e mulheres jovens num esquema vacinal de 3 doses por via intramuscular e para nenhuma delas está estabelecida a necessidade de reforços.
A vacinação deve ser efectuada, preferencialmente, a jovens adolescentes antes do início de vida sexual activa; em Portugal, foi decidido administrar a vacina HPV por rotina no Programa Nacional de Vacinação (PNV) às raparigas de 13 anos de idade.
Nenhuma das vacinas existentes confere protecção contra todos os HPV oncogénicos e o seu efeito só se verificará a médio/ longo prazo. A continuidade e o desenvolvimento do rastreio do cancro do colo do útero é fundamental.
Direcção-geral de Saúde, Outubro de 2008 (adaptado)
Transcrito e editado para o blog por Eunice Tomé  

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Tumores benignos do intestino grosso (incluindo pólipos)

 
Alguns tumores do intestino grosso são malignos, mas os tumores benignos são mais frequentes. Ocorrem isoladamente ou em grupo, devido a razão desconhecida; a maioria são pequenos, agrupando-se em forma de cacho, sendo tais tumores conhecidos por «pólipos», embora um tumor benigno possa ocasionalmente desenvolver-se o suficiente para provocar obstrução intestinal. Atendendo a que 1 em cada 100 tumores benignos se torne maligno, por rotina aqueles são extraídos quando descobertos.
Muitas pessoas têm tumores assintomáticos, desconhecendo a sua existência. São com frequência detectados quando, por qualquer outro motivo, se faz uma radiografia. Por vezes, contudo, os tumores benignos revelam-se pelo aparecimento de vestígios de sangue negro nas fezes, ou de um corrimento do ânus que mancha a roupa interior. Tais tumores são, com frequência, diagnosticados e extraídos simultaneamente através de colonoscopia, sigmoidoscopia ou proctoscopia. Se isto não for praticável no seu caso, poderá haver necessidade de recolher a uma laparotomia relativamente simples, para ablação dos tumores, evitando assim o ligeiro risco de obstrução ou transformação em tumor maligno.
Escrito e editado para o blog por Eunice Tomé  

Vídeo acerca do cancro



 Por Eunice Tomé 

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

A doença do medo!

 Para muitos indivíduos, a simples menção da palavra cancro provoca uma sensação de temor, de angústia e de tranquilidade. Experiências penosas com parentes ou seres queridos costuma ser a base dessa resposta inconsciente e de certa forma, justificada: trata-se de um distúrbio de gravidade inegável que, sem tratamento, conduz irremediavelmente à deterioração global da saúde e que constitui uma das principais causas de morte. Contudo, ainda se desconhecem muitas coisas sobre a sua origem e ainda não se encontraram fórmulas para a cura de forma eficaz de 100% dos casos, mesmo assim, não podemos subestimar os resultados alcançados nos últimos tempos.
Os tipos de cancro são muito diversos e apresentam diferentes formas de evolução e diferentes respostas ao tratamento. Nalguns casos, e em especial quando o tratamento é tardio, a actuação médica só pode ser encaminhada para aliviar os incómodos provocados pela sua evolução. Mas, noutros casos, felizmente cada vez mais, as possibilidades terapêuticas são realmente altas e permitem a cura total e definitiva da doença.
Assim, como há bem pouco tempo o mais comum era enfrentar este tema racionalmente e com resignação, hoje em dia o mais adequado é enfrentá-lo com esperança. Calcula-se que mais ou menos 40% das pessoas às quais é diagnosticado cancro podem curar-se por completo e que muitas outras podem levar uma vida de qualidade aceitável durante muitos anos. É conveniente, perante a existência desta doença que se solicite ao médico uma informação adequada, actualizada e realista para não haver especulações negativas. A própria atitude perante a situação parece ser um ponto de grande importância tanto na evolução do processo como na resposta ao tratamento. 

Escrito e editado para o blog por Eunice Tomé

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Tumor de Wilms:

Nesta doença, que afecta quase exclusivamente as crianças com mais de cinco anos, forma-se um tumor maligno num dos rins. O principal sintoma é um alto duro num dos lados do abdómen; pode ainda haver sangue na urina e dores abdominais.

Qual a frequência?
O tumor de Wilms é muito raro; é responsável por 5% de todas as mortes por cancro, nas crianças entre os dois e os doze anos.

Quais os riscos?
Os riscos são os mesmos de todos os cancros: o espalhar-se as células malignas por outras partes do corpo. Contudo, os recentes progressos no tratamento do cancro aumentaram enormemente as perspectivas futuras para as crianças que são afectadas por esta doença.

O que se deve fazer?
Se forem notados os sintomas atrás descritos, deve consultar-se o médico sem demora. Se houver suspeitas da presença de um tumor, a criança terá de fazer uma radiografia especial, conhecida por pielografia intravenosa.

Qual o tratamento?
Se for diagnosticado um tumor de wilms, o rim afectado terá de ser extraído cirurgicamente. Serão ainda ministrados citotóxicos (anticancerígenos) com o fim de destruir quaisquer células cancerosas que tenham permanecido. Também a radioterapia pode ser aplicada com o mesmo propósito. Mais de 80% de todas as crianças afectadas conseguem curar-se.
Escrito e editado para o blog por Eunice Tomé

sábado, 22 de janeiro de 2011

4ª Curiosidade sobre o Cancro...

Gás Mostarda
O gás mostarda foi utilizado, pela primeira vez, na Primeira Guerra Mundial, em 1917, pelo exército alemão. Ao contrário de outra arma química que produz efeitos imediatos, o gás mostarda só produz, geralmente, sintomas algumas horas após o contacto. As vítimas sofrem graves danos nos tecidos muito antes de se aperceberem que necessitam de tratamento. O gás mostarda atinge também o ADN, sendo responsável por mutações que produz cancros e malformações nos recém-nascidos.
Além dos agentes químicos, as radiações podem também ser usadas como potentes armas. As armas nucleares baseiam-se na libertação de enormes quantidades de energia, sob diversas formas, devido à desintegração dos núcleos dos átomos. A onda de choque inicial conduz a uma destruição maciça e as radiações são responsáveis por graves queimadoras e produzem, nos sobreviventes, alterações no seu genoma que mais tarde se manifestarão sob a forma de cancro e de malformações. Os únicos registos de utilização de armas nucleares remontam a 1945, quando, na Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos lançaram duas bombas atómicas sobre Hiroshima e Nagasaki.
Contudo, ao longo das décadas seguintes, inúmeros testes nucleares foram realizadas, alguns dos quais levaram à contaminação de vastas áreas. Alem disso, algumas centrais nucleares têm sofrido acidentes que conduzem à libertação de radioactividade e consequente contaminação das áreas envolventes. Um dos maiores desastres ambientais resultantes da energia nuclear teve origem em Chernobyl, na Ucrânia (na altura pertencente à URSS). O acidente ocorreu no dia 26 de Abril de 1986 quando o reactor nuclear da central explodiu, libertando uma enorme nuvem radioactiva que se espalhou por milhares de quilómetros. Vinte e oito pessoas morreram nos dias seguintes ao acidente, devido ao elevado nível de radiação a que foram expostas. Mas os efeitos mutagénicos só se viriam a manifestar mais tarde, quando se começou a detectar um aumento exponencial de cancro da tiróide em crianças que viviam numa região vizinha (a Bielorrússia). Entre os indivíduos adultos expostos à radiação, especialmente os que foram destacados para proceder às operações de socorro e limpeza da zona, diversos cancros começaram a surgir.
Após o acidente, a elevada contaminação dos terrenos, construções, maquinas, etc., obrigou à criação de uma zona de exclusão com um raio de 30 km. Os habitantes foram deslocados, mas ainda hoje é possível observar mutações que se manifestam nos filhos dos indivíduos que foram expostos à radiação.

Escrito e editado para o blog por Mark Simões

sábado, 15 de janeiro de 2011

Tumor do olho:

Os tumores são crescimentos anormais de tecidos. São quer malignos – os quais habitualmente se disseminam – ou benignos – ficando localizados. Os tumores dos olhos são raros, geralmente malignos e indolores.


Melanoma maligno do olho
Este tumor assemelha-se a um tipo de cancro da pele. Verifica-se sobretudo na coroideia (a camada de vasos sanguíneos situada sobre a retina) ou no corpo ciliar (extensão anterior da coroideia). Por vezes cresce na íris. Apenas um olho é atingido. Mais de metade dos casos são descobertos durante um exame de rotina por um oftalmologista. Os outros são descobertos por o doente se queixar de perda gradual de visão no olho afectado. O médico efectua um diagnóstico angiográfico, que mostra a natureza do tumor. O tratamento habitual nos adultos jovens é a remoção do olho atingido, de modo a evitar-se a disseminação do tumor a outras partes do corpo. Nas pessoas idosas, em que o tumor cresce muito devagar e não acarreta perdas de visão, é habitualmente considerado melhor não mexer no olho; se, contudo, forem observados sinais de crescimento, é aconselhável retirar o olho.

Tumores secundários do olho
No caso de alguns cancros, há disseminação (metastização) de tumores secundários por via sanguínea ou linfática, a partir, por exemplo, de um tumor primitivo da mama ou do pulmão, que não afectam outras partes do corpo. Os tumores secundários do olho aparecem durante os estádios avançados desses tumores primitivos quando se verificam por detrás do olho, provocam a sua procidência. O efeito na visão varia com a sua posição no globo ocular e com o seu ritmo de crescimento.

Retinoblastoma
Tumor maligno da retina que aparece num ou em ambos os olhos, habitualmente nas crianças com menos de cinco anos. O doente não se queixa de quaisquer sintomas. Se a visão central de um só olho é atingida, a criança pode arranjar um estrabismo; é por este motivo que todos os estrabismos devem ser observados por um oftalmologista. O estrabismo verifica-se quando a coordenação está ausente: um olho olha para o objecto que se quer observar, enquanto o outro olha para qualquer outro lado.
Se o tumor não for descoberto no inicio do seu crescimento, pode tornar-se visível através da pupila como uma zona branca no interior do olho. Esta doença é muitas vezes hereditária. Se sabe de casos desta doença na sua família, é aconselhável consultar o médico antes de vir a ter filhos e, no caso de já os ter, torna-se imprescindível que fale na história de retinoblastoma familiar ao médico, para que a criança seja observada regularmente. Quando o tumor é detectado na sua fase inicial, a radioterapia mostra-se muito eficaz. Contudo, com o tumor em estádio já avançado, é preciso retirar o olho para evitar a disseminação de tumores secundários no resto do corpo, o que põem em perigo a vida da criança.

Escrito e editado para o blog por Eunice Tomé

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

6ª Curiosidade do Sistema Humano...

Cirurgia Cerebral

A cirurgia no cérebro é um campo especializado da neurociência no qual são executadas operações no cérebro ou nas meninges através de uma abertura feita no crânio (craniotomia) ou, mais raramente, através do nariz e da cavidade nasal.

Aplicações da Cirurgia Cerebral
A cirurgia pode ser usada para tratar vários problemas. Estes incluem tumores no cérebro ou nas meninges; pressão acrescida dentro do crânio devido a uma hemorragia, hematoma ou hidrocefalia; lesão cerebral traumática, por exemplo devido a uma lesão na cabeça; anomalias nos vasos sanguíneos, como aneurismas, e abcessos cerebrais. Menos frequentemente, a cirurgia pode ser usada para tratar casos graves de epilepsia que não tenham reagido à medicação e para obter amostras de biopsia. Uma forma altamente experimental de cirurgia cerebral conhecida por estimulação cerebral profunda, que envolve a colocação de eléctrodos dentro do cérebro, tem sido usada para tratar pacientes com perturbações de movimento como a doença de Parkinson e síndrome de Tourette.

Cirurgia Cerebral Estereotáctica
A um paciente prestes a ser submetida a uma estimulação cerebral profunda é primeiro fixo um caixilho ao couro cabeludo.  O caixilho ajuda o cirurgião a navegar para o local preciso do cérebro onde os eléctrodos devem ser implantados.


Cirurgia Transnasal
Um procedimento minimamente invasivo, a cirurgia transnasal envolve a inserção de um endoscópio (tubo de visualização) no nariz para aceder à base do cérebro. O endoscópio permite ao cirurgião ver o sítio da operação e podem ser passados instrumentos ao longo deste para realizar procedimentos cirúrgicos. A principal aplicação deste tipo de cirurgia cerebral é a remoção de tumores da glândula pituitária ou das meninges na base do cérebro. Não deixa cicatriz externa, normalmente requer apenas um breve internamento no hospital e tende a causar menos dor subsequente do que a cirurgia tradicional.


Escrito e editado para o blog por Mark Simões

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Excerto do trabalho...

O diagnóstico de cancro é mais comummente estabelecido após um relatório histopatológico de uma biopsia ou de ressecção tumoral. Um relatório histopatológico deve incluir quer as características patológicas grosseiras (tamanho do tumor, número e tamanho de gânglios linfáticos examinados), quer os achados microscópicos (grau do tumor, arquitectura, taxa mitótica, envolvimento da margem e invasão linfovascular). O grau e o estádio do cancro são factores importantes de prognósticos e podem influenciar as opções terapêuticas.

A malignidade é geralmente caracterizada por várias características comportamentais, particularmente a invasão e a metastização. O histopatologista, contudo, pode ter de identificar um cancro sem esta informação. Os cancros são compostos de células clonadas (são todas descendentes de uma única célula) e perderam o controlo da sua organização e arquitectura tecidular. Além da história natural, várias propriedades físicas ajudam a diferenciar entre os tumores benignos e malignos. Contudo não há uma única caracrterística histológica que define um cancro. Na verdade, nem existe uma única característica histológica que separe os tumores benignos dos malignos. Em geral, os tumores benignos raramente são ameaçadores da vida, mas podem causar problemas de saúde por causa da sua localização (por pressão ou obstrução de órgãos adjacentes) ou por sobreprodução de hormonas. Em contraste, os tumores malignos seguem normalmente uma evolução progressiva e, a não ser que sejam tratados com sucesso, são frequentemente fatais.

In situ ou invasivo?

Os cancros invasivos estendem-se para o esquema circundante. Por outro lado, os tumores que exibem todas as características microscópicas dos cancros mas que não rompem a membrana basal ooriginal são denominados cancros in situ (não invasivos). Os exemplos incluem o cancro da mama in situ confinado aos ductos (carcinomas ductal in situ (CDIS) ou nos lóbulos (carcinoma lobular in situ (CLIS). Têm sido encontrados cancros pré-invasivos similares em vários órgãos como o cérvix, o ânus, a próstata e os brônquios, e acredita-se que representam um estádio na progressão da displasia para o cancro.

Escrito e editado para o blog por Mark Simões

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

1ª Psicologia atrás do cancro

Celebridades com cancro
As celebridades influenciam as percepções do público e comportam-se excessivamente, e isto é verdade quer na oncologia quer em qualquer outra coisa. As celebridades com cancro têm contribuído de três principais formas; os relatos pessoais trazem as experiências dos doentes para a ribalta, os relatos dos pacientes famosos aumentam o estado de consciência do público e podem encorajar comportamentos saudáveis, como o deixar de fumar, e os pacientes famosos podem auxiliar as organizações de beneficência para o cancro e encorajar donativos. Exemplos proeminentes das perspectivas incluem o relato de John Diamond em C: "because cowards get cancer, too" e o de Ruth Picardie em "Before I say goodbye", dois comoventes relatos por jornalistas de renome. Os pacientes famosos podem influenciar as escolhas de tratamento que o público faz. Após a mastectomia de Nancy Reagan para um cancro da mama localizado, em 1987, houve uma queda de 25 por cento na escolha das mulheres americanas para a cirurgia conservativa da mama em relação à mastectomia. O sucesso da cirurgia do seu marido para o cancro do cólon Duke B, enquanto presidente em 1984, aumentou o estado de consciência e deu notoriedade aos sinais de alerta do cancro do cólon junto dos meios de comunicação. O tratamento do cancro com sucesso é frequentemente muito publicitado, e nenhum artigo descrevendo as vitórias ciclísticas de Lance Armstrong parecia completo sem a menção do seu tratamento para o tumor metastizado de células germinativas não-seminomatoso, ou das suas duas crianças concebidas com esperma armazenado antes da quimioterapia. Outros pacientes famosos usaram a sua riqueza e fama para estabelecer e suportar projectos de beneficência de suporte à investigação e tratamento do cancro, incluindo Bob Champion, um cavaleiro de corrida de obstáculos tratados para o cancro do testículo nos anos 1970, e Roy Castle, um não fumador durante toda a sua vida a quem foi diagnosticado um cancro do pulmão em 1992. É claro que ninguém está imune ao cancro, mesmo as estrelas de rock cujas mortes são tradicionalmente associadas ao suicídio e ao abuso de substâncias.
George Harrison Ano da morte: 2001 Idade: 58 Cancro do pulmão
Joey Ramone Ano da morte: 2001 Idade: 49 Linfoma não Hodgkin
Ian Dury Ano da morte: 2000 Idade: 58 Cancro colorrectal
        Dusty Springfield Ano da morte: 1999 Idade: 60 Cancro da mamaCarl Wilson Ano da morte: 1998 Idade: 52 Cancro do pulmão
Linda McCartney Ano da morte: 1998 Idade: 57 Cancro da mama
Frank Zappa Ano da morte: 1993 Idade: 53 Cancro da prostata
Freddy Mercury Ano da morte: 1991 Idade: 45 Sarcoma de Kaposi
Mel Appleby Ano da morte: 1990 Idade: 24 Tumor espinal
Bob Marley Ano da morte: 1991 Idade: 36 Melanoma Metastático
António Feio Ano da morte: 2010 Idade: 56 Cancro Pancreático

Escrito e editado para o blog por Mark Simões

5ª Curiosidade do Sistema Humano...


Construir uma memória  
A maior parte das experiencias não deixam marcas permanentes. No entanto, algumas são tão marcantes que alteram a estrutura do cérebro forjando novas ligações entre neurónios. Essas alterações possibilitam a reconstrução, ou “recordação”, da experiência gerada inicialmente, num momento posterior, através da actividade neuronal.

A anatomia da memória
Só as experiências que geram actividade neuronal invulgar e/ou intensa são codificadas como memórias. As alterações que criam uma memória a longo prazo demoram cerca de dois anos a consolidar, mas, assim que estiveram codificadas, essa memória permanece disponível para toda a vida. As memórias de longo prazo incluem eventos da própria vida (memórias episódicas) e de factos impessoais (memórias semânticas). Juntas, são denominadas “memórias declarativas”, pois podem ser relembradas conscientemente (“declaradas”). As memórias de procedimentos (corporais) e as memórias implícitas (inconscientes) também podem ser armazenadas a longo prazo.
Formar memória de longo prazo
0.2 segundos Atenção
O cérebro só consegue absorver uma quantidade limitada de informação sensorial de cada vez. Pode experimentar uma pequena entrada de vários eventos ao mesmo tempo, ou centrar a atenção num evento e extrair muita informação deste. A atenção provoca o disparo mais frequente dos neurónios que registam o evento. Essa actividade torna a experiência mais intensa; aumenta também a probabilidade de esse evento ser codificado como memória. Isso acontece porque quantos mais neurónios dispararem, mais fortes são as ligações que estabelece com outras células cerebrais.
0.25 segundos Emoção
As experiências intensamente emocionais, como o nascimento de um filho, têm mais probabilidades de serem constituídas como memórias porque a emoção aumenta a atenção. A informação emocional de um estímulo é processada inicialmente na via inconsciente que conduz à amígdala; isso pode produzir uma reacção emocional mesmo antes de a pessoa saber ao que está a reagir, como na reacção “luta ou fuga”. Alguns eventos traumáticos podem ser permanentemente armazenados na amígdala.
0.2 – 0.5 segundos Sensação
A maior parte das memórias deriva de eventos que incluem imagens, sons e outras experiências sensoriais. Quanto mais intensas as sensações, maior a probabilidade de a experiência ser relembrada. As partes sensoriais dessas memórias “episódicas” podem ser esquecidas mais tarde, deixando apenas um resquício do conhecimento factual. Por exemplo, a primeira experiência duma pessoa a ver a Torre de Blackpool pode ser reduzida ao simples “facto” da aparência da torre. Quando a torre é relembrada, dispara um fantasma da imagem visual, codificado na área visual do cérebro.
0.5 segundos – 10 minutos Memória de trabalho
A memória de “trabalho”, ou de curto prazo, é como texto num quadro branco, constantemente renovada. Começa com uma experiência e continua enquanto essa experiência é “mantida na cabeça” por repetição. Um número de telefone, por exemplo, pode ser repetido o tempo necessário para o marcar. Pensa-se que a memória de trabalho envolve dois circuitos à volta dos quais a informação é mantida viva durante o tempo necessário. Um circuito é para a informação visual e espacial, o outro é para o som. As rotas dos circuitos envolvem os córtices sensoriais, onde é registada a experiência, e os lobos frontais, onde é conscientemente relembrada. O fluxo de informação para e à volta destes circuitos é controlado por neurónios no córtex pré-frontal.
10 minutos – 2 anos Processamento no hipocampo
Experiências particularmente marcantes “escapam” da memória de trabalho e viajam para o hipocampo, onde são submetidas a mais processamento. Provocam actividade neuronal que circula à volta das camadas circulares de tecido; os neurónios hipocampais começam a codificar esta informação permanentemente por um processo denominado potenciação a longo prazo. A informação mais forte “repete-se” nas partes do cérebro que as registaram pela primeira vez. Uma imagem, por exemplo, volta ao córtex visual, onde é repetida como um eco do evento original.
A partir de 2 anos Consolidação
Uma memória demora cerca de dois anos a consolidar-se no cérebro e mesmo depois disso pode ser alternada ou perdida. Durante esse tempo, os padrões de disparo neuronal que codificam uma experiência são repetidos entre o hipocampo e o córtex. Este “diálogo” repetitivo prolongado provoca a mudança do padrão do hipocampo para o córtex; isso pode acontecer para libertar o espaço de processamento do hipocampo para nova informação. O diálogo acontece sobretudo durante o sono. Pensa-se que esta fase do sono “silenciosa” ou de ondas lentas é mais importante para este processo do que a fase do sono de movimento ocular rápido.
A LOCALIZAÇÃO DAS MEMÓRIAS
Depois da consolidação, as memórias de longo prazo são armazenadas no cérebro em grupos de neurónios que são alertados para disparar ao mesmo tempo no mesmo padrão que criou a experiência original. As memórias “completas” são divididas nos seus componentes (sensações, emoções, pensamentos, etc.); cada componente é armazenado na área do cérebro que o iniciou. Os grupos de neurónios no córtex visual, por exemplo, codificam a imagem e os neurónios na amígdala armazenam uma emoção. O disparo simultâneo de todos estes grupos constrói a memória na sua totalidade.

Escrito e editado para o blog por Mark Simões

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

O que é o cancro?

O cancro não é uma doença isolada mas uma colecção de muitas doenças que partilham características comuns. O cancro é largamente visto como uma doença de origem genética causada por mutações do ADN, que fazem com que a célula se multiplique incontrolavelmente. Contudo, a descrição e as definições de cancro variam dependendo da perspectiva, como descrito abaixo.

PERSPECTIVA EPIDEMIOLÓGICA
            Existem mais de 200 tipos diferentes de cancro, mas quatro deles – mama, pulmão, colorrectal e próstata – são responsáveis por mais de metade de todos os novos casos. Em geral, estima-se que uma em cada três pessoas desenvolverá alguma forma de cancro durante a sua vida. No período de 10 anos entre 1989-1998, as taxas de incidência de cancro estandardizadas por idade aumentaram em 1.6 por cento nos homens e em 6.3 por cento nas mulheres. Os cancros que mais aumentaram nos homens foram o melanoma maligno e o cancro da próstata, enquanto, nas mulheres, foram o cancro do rim, o Linfoma não Hodgkin e o cancro da mama.
            A incidência do cancro refere-se ao número de novos casos de cancro que surgem num determinado período de tempo. A prevalência refere-se ao número de pessoas que receberam um diagnóstico de cancro e que estão vivas num determinado momento, algumas das quais serão curada e outras não. Assim, a prevalescência reflecte quer a incidência de cancro, quer o seu padrão associado de sobrevivência. Em geral, estima-se que aproximadamente 2 por cento da população do Reino Unido (cerca de 1.2 milhões de pessoas) estão vivas, tendo recebido o diagnóstico de cancro. O cancro que mais contribui para isto é o cancro da mama, com uma estimativa de 172 000 mulheres que estão vivas e que tiveram um diagnóstico de cancro da mama.

PERSPECTIVA SOCIOLÓGICA
            Os pacientes com cancro adoptam uma forma de comportamento transviado, medicamente sancionado, descrito nos anos 1950 por Talcott Parsons como «papel de doente». No sentido de serem dispensados dos seus deveres usuais e de não serem considerados responsáveis pela sua condição, espera-se que os pacientes procurem conselho profissional e admiram a tratamentos com o intuito de melhorarem. Os clínicos têm o poder de sancionar a sua ausência temporária do trabalho e deveres familiares, assim como absolvê-los do sentimento de culpa. Este modelo de comportamento minimiza o impacto da doença na sociedade e reduz o ganho secundário que o paciente beneficia como consequência da sua doença. Contudo, como apontou Ivan Illich, isto transforma os clínicos em agentes de controlo social pela medicalização da saúde, contribuindo para a doença iatrogénica - «uma vingança médica». De todos os diagnósticos médicos comuns, o cancro provavelmente acarreta o maior estigma e está associado ao maior medo. As muitas maneiras diferentes nas quais o cancro afecta as pessoas têm sido exploradas na literatura.

PERSPECTIVA EXPERIMENTAL
            No laboratório, quatro características definem a célula cancerosa em cultura:
1)      Clonalidade (todas derivam de uma única célula-mãe);
2)      Cresce em agar, na ausência de factores de crescimento;
3)      Atravessa membranas artificiais nos sistemas de cultura;
4)      Forma tumores se injectada num raio imunodeficiente;

PERSPECTIVA HISTOPATOLÓGICA
            O cancro é geralmente definido por várias características histopatológicas, particularmente a invasão e a metastização, que são observadas por exames patológicos e microscópicos vulgares. A coloração da laminina pode auxiliar o histopatologia na identificação da invasão local por tumores que rompem a membrana basal. Além disso, várias características microscópicas apontam para o diagnóstico:
1)      Diferente morfologia em relação às células normais;
2)      A arquitectura tumoral é menos organizada que a do tecido que lhe deu origem;
3)      Aumento de DN nuclear e da proporção núcleo: citoplasma;
4)      Núcleos hipercromáticas com engrossamento da cromatina e enrugamento das margens nucleares;
5)      Multinucleadas ou com macronucléolos;
6)      Figuras mitóticas numerosas e bizarras;

PERSPECTIVA MOLECULAR
            As características moleculares que identificam o cancro são descritas em «Seis etapas para se tornar um cancro»:
1)      Crescem sem sinal (auto-suficientes em estímulos de crescimento);
2)      Não param de crescer (insensibilidade aos estímulos inibidores);
3)      Não morrem (evasão da apoptose);
4)      Não envelhecem (imortalização);
5)      Alimentam-se a si próprios (neoangiogénese);
6)      Alastram (invasão e metastização);

Escrito e editado para o blog por Mark Simões