sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Leucemia mieloblástica aguda (leucemia mielóide aguda)


Esta doença é causada por uma transformação cancerosa num neutrófilo em divisão, um tipo de glóbulo branco fabricado na medula óssea. A célula anómala, ou leucémicas, multiplica-se de modo descontrolado. Produzindo gradualmente grande número de células leucémicas, as quais continuam a multiplicar-se do mesmo modo. À medida que o seu número aumenta, as células começam a invadir a medula óssea, diminuindo a produção não só de neutrófilos mas também de outras células produzidas nesse meio – incluindo glóbulos vermelhos e plaquetas.
Eventualmente, os neutrófilos espalham-se na corrente sanguínea, onde o seu número se torna cada vez maior. Invadem, então, vários órgãos e tecidos, em particular os gânglios linfáticos, o baço e o fígado, que aumentam de volume.

Quais são os sintomas?
Os sintomas principais são: resistência diminuída às infecções (especialmente da boca e garganta), úlceras do lábio da boca, maior tendência para as esquimoses e hemorragias, e anemia, expressa por palidez, cansaço, falta de ar e palpitações cardíacas.
A doença ocorre muitas vezes subitamente, com agravamento progressivo dos sintomas por um período de uma ou duas semanas; com menor frequência, estes sintomas vão aparecendo gradualmente durante dois ou três meses. Eventualmente os idosos apresentam uma leucemia «arrastada», com início muito gradual da doença.

Qual a frequência do problema?
A leucemia mieloblástica aguda é muito rara. Na maioria, os doentes já passaram dos 60 anos.

Quais os riscos?
Não há cura para a doença, a qual, se não for tratada, é fatal dentro de semanas. Nalguns casos, a leucemia apresenta evolução de tal modo rápida que a morte ocorre em poucos dias, mesmo antes de se ter iniciado o tratamento. Contudo, o tratamento moderno possibilita uma remissão bastante razoável dos sintomas, por vezes por anos.

Que deve fazer-se?
Qualquer indivíduo que apresente os sintomas descritos deverá consultar o médico sem demora. Depois de um exame clínico, o médico recolherá sangue e talvez uma amostra de medula óssea (biopsia) para análises laboratoriais. Outras provas laboratoriais serão necessárias se se suspeitar de leucemia mieloblástica aguda.

Qual o tratamento?
Logo que haja confirmação do diagnóstico, o doente ingressará no hospital e ser-lhe-ão feitas transfusões de sangue, incluindo transfusões especiais de plaquetas para impedir as hemorragias e as esquimoses. A base de tratamento é a combinação de medicamentos – em primeiro lugar esteróides e antibióticos petentes em doses elevadas para aliviar os principais sintomas.
O tratamento da leucemia em si é feito através de drogas citotóxicas (anticancerosas). Estes medicamentos ajudam à eliminação das células leucémicas da medula óssea, mas, por efeito secundário, destroem igualmente em grande número de células normais, de uma medula já muito espoliada. Uma vez destruídas as células leucémicas da medula, são necessárias pelo menos duas semanas para que um número considerável de células sãs comece a re-habitar a medula e eventualmente entre em circulação na corrente sanguínea. Este período de baixa contagem celular pode ser altamente perigoso para o paciente. Se necessário for, o indivíduo deverá ser sujeito a cuidados intensivos, incluindo precauções especiais para impedir alguma infecção, e mais transfusões de eritrócitos e de plaquetas.
Quando o período crítico tiver passado, o estado do paciente apresenta uma melhoria acentuada. Num período compreendido entre as três e as doze semanas após o início do tratamento todos os sinais da doença terão desaparecido, e a leucemia está no que se chama «em remissão». O doente estará já então, em geral, suficientemente bem para deixar o hospital. O tratamento ulterior, com medicação em regime ambulatório, será feito com intervalos de quatro a seis semanas, por um período de cerca de um ano para manter a doença sob vigilância. Mas, quase sempre, a leucemia aparece de novo e o tratamento ulterior revela-se ineficaz.

Editado para o blog por Eunice Tomé

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Quimioterapia

A descoberta de Fármacos
           
As origens da quimioterapia para o cancro assentam no uso de guerra biológica durante a Primeira Guerra Mundial, descrita de forma bela mas triste no poema de Wilfred Owen, “Dulce et decorum est”. Após o extenso uso de gás de cloro na guerra de trincheiras, o exercito alemão libertou pela primeira vez o gás mostarda em Ypres, na noite de 12 para 13 de Julho de 1917. O gás mostarda tinha sido sintetizado em 1854 por Victor Meyer e descobriu-se que era um vesicante em 1887. Como arma de destruição maciça, o gás mostarda, ou Yperite como era conhecido na altura, tinha as vantagens sobre o cloro de necessitar de doses mais pequenas, de ser praticamente inodoro e de permanecer activo nos solos durante semanas. De entre as mortes provocadas por gás no exercito britânico, de 1914 a 1918, o maior número foi devido ao gás mostarda. A exposição ao gás mostarda provoca um eritema grave com formação de bolhas e conjuntivite, seguido por lielossupressão cerca de 4 dias depois. Durante a Segunda Guerra Mundial, o único uso do gás mostarda resultou num autogolo, quando a Luftwaffe afundou o USS John Harvey ao Laro do porto de Bari, no Sul de Itália, em 1943. O navio carregava 2000 bombas M47A1 contendo um total de 100 toneladas de gás mostarda, e os marinheiros americanos que sobreviveram ao incidente desenvolveram conjuntivite e bolhas na pele, seguidas por uma diminuição abrupta nas contagens de células brancas, como documentado pelo cirurgião naval, o Coronel Stewart Alexander. Entretanto, na Universidade de Yale, Alfred Gilman e Louis Goodman estavam a usar a mostarda nitrogenada (mecloretamina), que é muito semelhante, inicialmente em modelos murinos de linfoma. Em 1944, o primeiro paciente com linfossarcoma (Linfoma não-Hodgkin de alto grau) foi tratado, e apesar de o Sr. JD, um ourives de 48 anos, ter conseguido uma remissão temporária do seu tumor, morreu mais tarde de insuficiência da medula óssea.
O desenvolvimento subsequente da quimioterapia, após este achado fortuito como um subproduto da guerra biológica, deve muito à sorte e tentativa e erro, mais do que ao planeamento. Uma feliz descoberta dói feita por acaso por Barnett Rosenverg um médico da Universidade do Estado do Michigan, em E.coli, usando eléctrodos de platina num meio líquido. Rosenberg descobriu que as bactérias paravam de se dividir mas continuavam a crescer, formando bactérias até 300 vezes maiores que o normal. Descobriu-se que isto era devido à cisplatina, um produto dos eléctrodos de platina, que estava a interferir com a replicação do ADN. No final dos anos 1960, tinham sido identificados vários fármacos citotóxicos de fontes naturais. Em 1971, o presidente Nixon, estando a perder a guerra do Vietname, declarou guerra ao cancro, assinando o Cancer Act e estabelecendo um programa de descoberta de fármacos no Instituto Nacional de Cancro. Este projecto analisou milhares de químicos naturais na procura de potenciais agentes citotóxicos. Só pelos anos 1990 é que emergiu o fabrico racional de fármacos para atingir as características conhecidas relacionadas com os tumores. Exemplos disto incluem o trastuzumab, um anticorpo monoclonal produzido contra o erbB2/neu/Her-2 no cancro da mama, e o imatinib, que inibe o local de ligação ao ATP da proteína de fusão brc-abl na leucemia mielóide crónica.


Adaptado para o blog por Mark Simões

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Leucemia:


A leucemia é um cancro que afecta os glóbulos brancos. Normalmente, o número de glóbulos brancos produzidos está em equilíbrio com os que vão morrendo, de tal modo que há sempre glóbulos brancos em quantidades suficientes no organismo como defesa contra as infecções. Na leucemia, uma das células destinadas a reproduzir-se como um glóbulo branco divide-se de modo súbito e extraordinariamente rápido, produzindo outras células anormais. O resultado desta superprodução é a disseminação através do organismo de glóbulos brancos anormais em elevado número, interferindo com funções vitais do corpo.
Há dois tipos fundamentais de leucemia: a leucemia linfática, que afecta as células chamadas «linfócitos», e a leucemia mielóide, que afecta os neutrófilos, produzidos na medula óssea. Tanto a leucemia linfática como a mielóide podem ser agudas ou crónicas. Se não houver tratamento, a leucemia aguda pode conduzir à morte dentro de semanas, persistindo a leucemia crónica por um período até 15 anos.
A leucemia linfoblástica aguda atinge primariamente as crianças. Os três tipos de leucemia aqui tratados atingem principalmente os adultos.

Drica Moraes
A actriz brasileira sofreu de leucemia, passando por vários tratamentos de quimioterapia e por um transplante de medula. Tendo estado cento e vinte dias internada, não podendo manter contacto pessoal  com ninguém, uma vez que tinha as suas defesas a zero.
Editado para o blog por Eunice Tomé

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Algumas perguntas frequentes do cancro

O cancro é contagioso?
Não. O cancro não é uma doença contagiosa.
Como explicar, então, vários casos de cancro na mesma família?
Alguns tipos de cancro têm características genéticas e podem, portanto, ter um comportamento hereditário.
Como saber qual é o risco que meus familiares têm de desenvolver cancro?
Este risco só pode ser definido para os tipos de cancro com comportamento hereditário bem determinado. Nestes casos, o seu médico pode lhe informar qual é este risco.
Existe algum risco de eu transmitir aos meus familiares a radiação que eu recebo durante a radioterapia?
Não. O paciente em tratamento não emite radiação.
O meu médico sabe quais os medicamentos mais indicados para o meu tratamento?
Existe uma vasta literatura médica a respeito de cada tipo de cancro. Analisando estes estudos e utilizando a sua experiência clínica, o médico tem como definir o melhor tratamento para cada paciente.
Posso ficar infértil (estéril) com o tratamento?
Alguns tratamentos podem causar infertilidade. Hoje em dia, existem algumas formas de manejar esta situação. Fale com seu médico sobre isso.


A respeito da quimioterapia
O tratamento dói ou causa algum tipo de sofrimento?
A infusão da quimioterapia não é um processo que cause dor, quando feito por profissionais capacitados. Alguns medicamentos podem causar irritação nas veias dos braços, com desconforto local durante e após a infusão. Mas, nestes casos, são tomadas medidas para minimizar o problema.
Posso usar bebidas alcoólicas durante o tratamento?
Em geral, não é aconselhável, dado o risco de interacções medicamentosas e de alterações no metabolismo de algumas drogas.
Posso viajar?
Sim, desde que tenha à mão o contacto do seu médico e que haja algum hospital próximo para atendimento de urgência, se necessário.
Posso apanhar sol e ir à praia?
Algumas componentes da quimioterapia deixam a pele mais sensível à acção da radiação solar, o que chamamos de "fotossensibilidade". Portanto, deve-se evitar a exposição excessiva, não sendo aconselháveis idas à praia ou à piscina. Nas outras situações, basta o uso de protector solar, chapéu ou boné etc.
Posso pintar os cabelos? E usar desodorizante, perfume etc?
Os produtos podem acentuar a queda de cabelo, mas não existe uma contra-indicação formal ao seu uso. Não há problemas quanto ao uso de desodorizantes, perfumes e afins. Para as pacientes com cancro da mama que foram submetidos a cirurgia para serem retirados os gânglios linfáticos das axilas (dissecção axilar), sugere-se evitar desodorizantes com base alcoólica, devido ao maior risco de desenvolvimento de alergias no local e, portanto, de infecção.
Posso trabalhar normalmente?
Sim, desde que se sinta apto para tanto.
Posso praticar algum tipo de actividade física?
Sim, desde que não existam outras contra-indicações médicas e caso se sinta bem-disposto para isso.
Posso praticar  sexo normalmente?
Sim. Para as mulheres em idade fértil, é fundamental o emprego de algum método contraceptivo, uma vez que é extremamente desaconselhável engravidar durante o tratamento com quimioterapia, devido aos riscos para o feto em formação.
Preciso de estar em jejum para receber as medicações da quimioterapia?
Não. É até aconselhável fazer uma refeição leve antes. Durante a infusão dos medicamentos (o que, dependendo do esquema proposto, pode levar algumas horas), não há problemas em ingerir alimentos.
Preciso de fazer alguma dieta especial por causa da quimioterapia?
Não. O tratamento em si não impõe nenhuma restrição alimentar, a não ser que surjam efeitos colaterais, como náuseas ou diarreia. O importante é atentar para a higiene no preparo dos alimentos, devido à baixa de imunidade provocada pelo tratamento e ao consequente risco de infecção.
Posso fazer tratamento dentário durante a quimioterapia?
Não é aconselhável. Se possível, adie para depois de terminar o período de quimioterapia, já que a mucosa oral é uma área rica em bactérias e, portanto, com maior risco de infecção, sobretudo após procedimentos cirúrgicos ou de manipulação da boca.
Posso me vacinar durante o tratamento?
Depende. A vacina da gripe, por exemplo, uma vez que contém vírus vivos, atenuados, está contra-indicada. O emprego de outros tipos de vacina deve ser discutidos individualmente com o seu médico.
Preciso de estar repousado?
Não. O repouso deve ser proporcional à fadiga experimentada pelo paciente.
O meu cabelo vai cair com o tratamento?
Isso varia. A queda de cabelos (alopécia) ocorre em graus diferentes de acordo com o medicamento. Alguns agentes da quimioterapia causam alopécia no primeiro mês de tratamento enquanto outros não provocam quase nenhuma queda de cabelo ao longo de todo o período de quimioterapia.
Quanto tempo demora para que o meu cabelo cresça de volta?
Em geral, 3 a 4 semanas após o fim do tratamento.
Quais são os medicamentos que posso tomar junto com a quimioterapia?
Deve usar somente aqueles medicamentos prescritos pelo seu médico. Em geral, não há contra-indicação se continuar com as medicações de uso habitual para o controle de diabetes ou hipertensão, ou analgésicos simples, como Dipirona ou Paracetamol. De qualquer forma, é importante que o seu oncologista saiba quais são os outros medicamentos que toma, para se minimizar o risco de interacções medicamentosas.
O que é quimioterapia adjuvante?
É aquela empregada como terapia complementar após tratamento cirúrgico inicial, como nos casos de câncer de mama ou do intestino grosso (cólon).
O que é a quimioterapia paliativa?
É aquela empregada com o intuito primário de conter a evolução e controlar os sintomas provocados pela doença, mantendo ou melhorando a qualidade de vida do paciente, enquanto melhora também a sua sobrevivência.
O que é a quimioterapia neoadjuvante?
É aquela empregada antes de uma modalidade de tratamento local, como a cirurgia ou a radioterapia, com o objectivo de reduzir o tumor e a melhor o resultado final.
Eu vou me sentir mal com o tratamento?
Não necessariamente. É importante entender que, apesar da quimioterapia ter efeitos colaterais previsíveis, as reacções são individuais, variando de intensidade de paciente para paciente. Algumas pessoas não apresentam qualquer sintoma significativo provocado pelo tratamento, e não alteram em nada o seu estilo de vida. Além disso, hoje dispomos de medicamentos contra náuseas, alergias etc., que, com um maior conhecimento a respeito dos agentes da quimioterapia, diminuíram bastante os efeitos adversos esperados.
O que é um cateter para a quimioterapia?
Nos pacientes com acesso venoso periférico precário (veias dos braços muito finas ou frágeis) ou aqueles que receberão medicamentos irritantes para as veias, está indicada a colocação de um cateter venoso central totalmente implantado e de longa permanência. Para o colocar é necessário um cirurgião qualificado, com anestesia local e desconforto mínimo para o paciente, através de uma pequena incisão no tórax. Em geral, pode ser usado ao longo de todo o tratamento e após, dependendo de manutenção mensal, feita pela equipa de enfermagem.
Se eu não me sinto mal com o tratamento, isto significa que ele não está a fazer efeito?
De forma alguma. O efeito positivo do tratamento é independente dos seus efeitos colaterais.
Como é que vou saber se o meu tratamento está a dar resultado?
O seu médico, por meio de dados da avaliação clínica feita durante as consultas e de exames complementares (métodos de imagem, sangue etc.), será capaz de determinar isso. A frequência com a qual devem ser realizados exames como tomografias, RX e outros, varia de caso para caso.

Adaptado para o blog por Mark Simões

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Vencendo a luta contra o cancro da mama


«Vou morrer?», foi a primeira pergunta que Marleen Scheurs, Maastricht, então com 52 anos, fez em 2002 quando a biopsia mostrou que tinha um tumor maligno no peito. «Pensei no meu filho. E na minha mãe, que já tinha perdido dois dos seus filhos. Não queria causar-lhe mais desgostos.»
O cancro da mama de Scheurs foi descoberto durante o Programa de Rastreio Nacional de Cancro da Mama. Segundo o resultado, «o tratamento devia poder salvar o peito». Mas se o tumor não fosse removido totalmente, Scheurs teria de o perder. Logo que saiu da anestesia, ela percorreu o seu peito com a mão. Não teve a certeza. As ligaduras espessas não ajudaram. «Mas o que realmente não interessava era ficar melhor», diz ela. «Foi só um ano depois, quando a minha irmã teve de se submeter a uma mastectomia, que eu dei valor ao facto de ainda ter o meu peito. Ela era levada a pensar a lembrar-se dele todos os dias. Eu não tenho de pensar tanto nisso.»
O cancro da mama é o cancro mais comum nas mulheres. Pelo menos, uma em cada nove mulheres será afectada durante a sua vida. Aproximadamente 3000 mulheres morrem todos os anos desta forma de cancro. Antes de 2000, era uma das causas mais comuns de cancro nas mulheres com menos de 50 anos. Os novos desenvolvimentos no rastreio, diagnóstico e tratamento levaram a uma queda no número de casos fatais. Mas ainda, os métodos de tratamento melhoraram claramente. A questão deixou de ser a remoção do tumor e de grande área do tecido adjacente «só por segurança»; hoje, a norma é um tratamento intensivo mais focado em cada paciente individualmente e ajustado a cada uma delas.
No caso de Scheurs, o tecido adjacente não tinha cancro. Ela recebeu tratamento de radiação e recorda: «O oncologista aconselhou-me a fazer também quimioterapia, mas decidi não a fazer. Tenho uma doença auto-imune, e se fizesse quimioterapia, demoraria anos a recuperar o meu fígado. Foi uma decisão difícil, e foi por isso que pedi uma segunda opinião.»
A opção de fazer ou não quimioterapia tem prós e contras nos dois casos. «A alguém que não tenha a certeza, eu aconselharia a continuar a procurar respostas; a investigar o mais possível.»
Agora, sete anos depois, parece que a recusa da quimioterapia foi a decisão certa. Marleen Scheurs sente-se bem e goza plenamente a vida.

Genes mortais
No final de 2007, Michou Van der Meulen não pensou no pior quando sentiu um caroço no seu peito direito. A secretária, de 27 anos, da Hoofddorp, ficou chocadíssima quando soube que o tecido maligno iria evoluir rapidamente para um tumor canceroso se não fizesse a intervenção cirúrgica. «É algo que não se espera nessa idade», diz ela. Decidi imediatamente avançar para a cirurgia e pensei que em breve voltaria à minha vida normal.» Mas foi assim. O tecido contaminado foi removido com sucesso e perguntaram a Van der Meulen se gostaria de fazer o teste do gene do cancro da mama. Os seus médicos estavam preocupados porque ela era muito nova; o cancro só muito raramente afecta mulheres com menos de 30 anos. «Eu tinha uma hipótese em vinte. Havia um historial de cancro na minha família, mas a minha irmã e a minha mãe (ainda) não tinham sido atingidas.»
Os resultados da análise foram muito claros: «Eu tinha o gene do cancro, e a questão não era se eu iria ter cancro, mas sim quando é que ele se desenvolveria. Aparentemente, a minha mãe também transportava o gene.»
Outros exames revelaram que as duas mamas estavam cheias de minúsculas partículas de cálcio, que podiam ser o começo do cancro. «Tive de tomar a decisão difícil de fazer uma mastectomia dupla aos vinte e oito anos como medida de prevenção. Sei que há vinte anos atrás este gene mortal não tinha sido descoberto e que provavelmente eu teria morrido de cancro. Pelo menos, fui poupada a isso.»

Rastreio melhorado
O Dr. Jan Klijn, professor de Oncologia, assistiu a grandes mudanças durante a sua carreira: «Quando eu comecei, nos anos de 1960, o cancro era tabu. As pessoas adiavam a ida ao médico e falavam apenas sobre o grande C. quando um doente era diagnosticado com cancro, era muito normal falar com a família sobre se deveriam manter segredo ou não. Muito simplesmente, isso não acontece hoje em dia.»
O Prof. Klijn viu morrer doentes que hoje teriam boas hipóteses de recuperação. «Por exemplo, tem havido grandes avanços no processo de rastreio», explica.
«A chegada da mamografia digital, agora utilizada no rastreio, é um outro passo na direcção certa. Mas os resultados realmente espectaculares chegam com o rastreio MRI. Por exemplo, nos casos das mulheres jovens que têm um risco acrescido de cancro da mama dada a sua história familiar, conseguimos detectar anomalias em estágio inicial muito melhor do que com a mamografia.»

Personalização
Não é apenas o rastreio do cancro da mama que deu grandes passos nas últimas décadas; o tratamento com medicação é agora totalmente diferente: «Temos visto os resultados mais espectaculares com o Herceptin, que  foi introduzido na Holanda no ano 2002.»
O Prof. Klijn foi o primeiro a introduzir este medicamento naquele país. O Herceptin, um chamado bioquímico, pode ser usado em aproximadamente 20% das doentes de cancro da mama. O Herceptin liga-se à proteína que estimula o crescimento de um tumor e depois começa a reduzir o seu crescimento. Pertence a um novo grupo de medicamentos conhecidos por terapia molecular dirigida. «Estas terapias bloqueiam o agente específico do crescimento no interior da célula.»
A terapia mais antiga do cancro da mama, a terapia hormonal, está agora a ser aplicada com mais frequência e com maior sucesso. «É aqui que está o futuro, em conjunção com a combinação correcta de medicação», diz o Dr. Klin. «Não existem dois cancros da mama idênticos. Identificando o tipo de cancro da mama e aplicando o tratamento apropriado a esse tipo específico, a batalha pode ser ganha. Em princípio, dentro de vinte anos nunca mais ninguém terá de morrer de cancro da mama.
Isto não significa que a cirurgia deixe de ser necessária, mas também nesta área está a haver um grande progresso. Há agora muito maior preocupação com os aspectos estéticos do cancro da mama. «Há vinte ou trinta anos, todos os tecidos, incluindo o tecido muscular, eram removidos. Só ficava uma fina camada de pele por cima da caixa torácica », diz a Dr.ª Hester Oldenburg, cirurgiã oncologista no Hospital Antoni Van Leeuwenhoek, de Amsterdão. «Mas as técnicas de redução oncoplásticas têm sido muito bem sucedidas. Hoje, o tamanho do peito é reduzido do mesmo modo que numa intervenção normal para redução do mesmo. Apenas é removido o tecido maligno. O outro peito, são, será reduzido para o mesmo tamanho, ou na mesma altura após o tratamento pós-operatório.»

Processo «sentinela» do gânglio linfático
O Prof. Dr. Emiel Rutgers, director de Oncologia Cirúrgica do Centro Médico Universitário de Amsterdão e também cirurgião, recorda que todas as doentes de cancro da mama tinham de submeter-se a uma remoção de todos os gânglios linfáticos axilares. «Na maior parte dos casos, porém», diz ele, «descobria-se que os gânglios linfáticos não estavam contaminados. Portanto, a cirurgia não era necessária. E a doente era deixada com todos os desagradáveis efeitos secundários, como dores, um braço inçado ou reduzida mobilidade do ombro.»
Em 1992, Rutgers ouviu falar do processo «sentinela» do gânglio linfático, um processo que envolve a remoção de apenas alguns dos gânglios, em vez da remoção de todos. «A metastização dos gânglios linfáticos é feita sempre do mesmo modo», explica ele. Há uma ligação directa entre a área do tumor e um ou dois, à vezes três, dos gânglios linfáticos que circundam o peito, os gânglios linfáticos «sentinela». Se estes gânglios são removidos e estão limpos, então a cirurgia de ablação axilar radical não será necessária. Se houve metastização, os restantes gânglios linfáticos devem então ser tratados. As probabilidades de a metastização progredir são cerca de 20%. «Este método pode evitar que 80% das dentes tenham de submeter-se a uma cirurgia de ablação axilar radical desnecessariamente», diz Rutgers. «Estamos a usar este método há quase dez anos e descobrimos que apenas três em mil doentes com um gânglio linfático “sentinela” limpo sofrerão de metastização axilar.»

Clínicas de mamografia
A luta conta o cancro da mama está a ser travada em todas as frentes. Enquanto o diagnóstico costumava demorar cerca de duas a três semanas, a ansiedade pode agora desaparecer no espaço de um ou dois dias nas muitas «clínicas de mamografia» especializadas. «É frequente a doente ter alta no dia seguinte à cirurgia, enquanto antigamente teria de permanecer hospitalizada entre duas e três semanas», diz Oldenburg.
«Nos últimos anos, conseguimos tornar a radioterapia mais precisa e, portanto, mais eficaz», diz o Prof. Dr. Harry Bartelink, especialista em radioterapia. Bartelink chefiou um grande projecto de investigação europeu que envolveu 5000 mulheres que fizeram dois tratamentos com radiação pós-operatória, um dos quais com dosagem elevada. «A dosagem extra conduziu à redução em 40% da probabilidade de o tumor não regredir após a cirurgia sem remoção do peito. Isto apresenta vantagens especialmente para mulheres jovens que sofrem de cancro da mama. Acontece também que mais de 80% das doentes ainda estão vivas passados dez anos. É uma coisa de que podemos realmente orgulhar-nos.

Cancro da mama nos homens
Menos de 1% dos diagnósticos de cancro da mama afectam os homens. Sandra Kloezen, directora da Sociedade Holandesa do Cancro da Mama, diz: «A investigação demonstrou que os homens tendem a ignorar os sinais do cancro da mama quando se trata deles próprios. Como o peito dos homens é plano, logicamente o cancro da mama será descoberto mais cedo. O caroço no peito pode ser detectado mais cedo, mas o perigo da metastização dos tecidos adjacentes (pele ou músculo) é maior do que nas mulheres. A falta de tecido gordo encoraja as células malignas a espalharem-se mais depressa na pele ou nos músculos do peito. É vital consultar o médico o mais rápido possível. O cancro da mama nos homens é raro, mas pode ser fatal se for descoberto demasiado tarde.»
Editado para o blog por Eunice Tomé

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Uma curta história epidemiológica do consumo do tabaco e o cancro

O tabaco, juntamente com a sífilis e as batatas, foi um dos “presentes” do Novo Mundo para o Velho. A nicotina recebeu o seu nome de Jean Nicot, um embaixador francês em Lisboa do século XV, que era um grande partidário do acto de fumar e que, em 1559, enviou tabaco para Catarina de Médici, a então rainha de França. O tabaco foi subsequentemente introduzido em Inglaterra, em 1586, por sir Walter Raleigh. O consumo do tabaco foi activamente encorajado na Guerra dos Trinta Anos, nas campanhas napoleónicas, na Guerra da Crimeia e, com mais notoriedade, na Primeira Guerra Mundial. O consumo do tabaco reduz o medo e a ansiedade e suprime o apetite, e estes efeitos foram considerados benéficos para os soldados.

Ligações epidemiológicas iniciais a cancros não pulmonares
Em 1961, John Hill, um médico de Londres, relatou vários casos de cacnro nasal entre os grandes utilizadores de tabaco por inalação e, em 1795, Thomas van Soemmering sugeriu uma ligação entre fumar cachimbo e o cancro do lábio. Ulysses S.Grant, general ianque na guerra civil americana e posteriormente presidente dos EUA, morreu em 1885 de cancro da garganta, que foi atríbuido aos seus charutos. Num artigo estudo de coorte nos anos 1920, o Dr. R. Abbe observouque em 90 pacientes com cancro oral 89 eram fumadores.

Ligações epidemiológicas com o cancro do pulmão
Em 1939, o Dr. Franz Müller, da Unervisidade de Colónia, realizou o que é geralmente reconhecido como o mais antigo estudo de caso-controlo sobre fumar, que mostrou que uma proporção muito elevada de pacientes com cancro do pulmãoeram grandes fumadores. Contudo, os resultados foram descartados como pouco fiáveis, porque Hitler era um antifumador fanático e tinha influenciado os resultados. Pouco tempo após a Segunda Guerra Mundial, numa altura em que 90% dos adultos do sexo masculino do Reino Unido fumavam, Austin Bradford Hill, Edward Kennaway, Percy Stock e Richard Doll resolveram investigar as ligações entre fumar e o cancro do pulmão, usando uma estratégia de dose-resposta num caso-controlo. O seu estudo de caso-controlo foi realizado em 1948 em 20 hospitais londrinos, entrevistand um paciente com cancro gástrico ou colónico. Em todas as análises, havia uma relação dose-resposta entre o número de cigarros fumados e o risco de cacnro do pulmão. Isto foi publicado em 1950  no British Medical Journal (BMJ). Em 1951, Doll e Hill realizaram um estudo de coorte prospectivo de 60 000 médicos constantes dos registos médicos, que foram recrutados através de uma carta publicada no BMJ. Foram recebidos 40 000 respostas e, nos dois anos e meios seguintes ocorreram 789 mortes, incluindo 36 por cancro do pulmão. Dolle Hill encontraram um aumento significativo no risco de cancro do pulmão com o aumento significativo no risco de cacnro do pulmão com o aumento do consumo de tabaco. Notaram, contudo, que os dois únicos médicos que definitivamente morreram por fumar, tinham morrido após pegar fogo às suas camas enquanto fumavam na cama. Esta relação foi mantida numa actualização do estudo inicial em 1993, que agora inclui 20 000 mortes: 883 por cancro do pulmão. O risco relativo por fumar 25g de tabaco por dia foi 20 vezes superior.
Resultados semelhantes foram reportados no inicio dos anos 1950 nos EUA por Ernst Wynder, um estudante de Medicina, e por Evarts Graham, um cirurgião torácico, que publicaram, no Journal of the American Medical Association, um trabalho intitulado “Fumar Tabaco como um Factor Etiológico Possível no Carcinoma Broncogénico: Um estudo de 684 Casos Provados”. O Evarts, um fumador inveterado, não fez caso das suas próprias descobertas e morreu de cancro do pulmão.



N
Tabaco 1g/dia
Tabaco 15g/dia
Tabaco >25g/dia
Mortes por cancro do pulmão

36

0,4/10,00

0,6/10,000

1,1/10,000
Total de mortes
789
13/10,000
13/10,000
16/10,000

Adaptado para o blog por Mark Simões

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Porque o cancro pode ter cura na RTP



Por Eunice Tomé

Escolha da estação: Maçãs

As maçãs não são o fruto típico desta época, mas apesar disso continua a poder encontrar este fruto maravilhoso nos supermercados. E porque não levar para casa uma variedade, como a vermelha listada e gosto picante Cameo, ou a rosa-amarela Cripps Pink, ou mesmo a Honey-Crisp, conhecida pelo seu gosto a cidra e textura mais áspera? Além de experimentar novos sabores, vai poder usufruir de alguns benefícios para a saúde recentemente descobertos. Coma uma maçã por dia para:
Combater a doença de Alzheimer. A maçã contém quercetina, um antioxidante poderoso que protege os neurónios da degeneração nos ratos – e pensa-se que pode fazer o mesmo nos humanos, diminuindo os sintomas associados às alergias e febre-dos-fenos. Coma sempre a pele, defende o investigador Chang Lee, da Universidade de Cornell, uma vez que é especialmente rica em compostos que combetem a doença.
 Protecção contra o cancro do cólon. Quando a fibra natural da maçã fermenta no cólon, produz produtos químicos que ajudam a lutar contra a formação de células cancerosas, de acordo com uma recente investigação realizada na Alemanha.
Prevenir a hipertensão. Os adultos que comem maçãs têm menos 37% de probabilidades de sofrer de hipertensão, de acordo com estudos recentes.
Janis Graham

Transcrito e editado para o blog por Eunice Tomé

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Cancro do colo do útero

COLO DO ÚTERO: O QUE É?
O colo do útero é a extremidade inferior do útero. A parte inferior do colo encontra-se no interior da vagina e é visível com o espéculo. O colo do útero sofre alterações ao longo da vida da mulher (puberdade, durante o parto, menopausa). A área que une a região externa do colo do útero (exocolo) e a porção inteira (endocolo) é muito sensível. É aqui que se inicia a maior parte dos cancros do colo do útero.

CANCRO DO COLO DO ÚTERO: É COMUM?
O cancro do colo do útero é a segunda causa de morte em todo o mundo em mulheres com idades entre os 15 e 44 anos.
Na Europa, todos os dias, quarenta mulheres morrem de cancro do colo do útero. Em Portugal a incidência é de 13-14 casos de cancro em 100.000 e o número de mortes por ano é de 350. Este número tem vindo a diminuir desde há alguns anos graças a programas de rastreio.

O QUE CAUSA O CANCRO DO COLO DO ÚTERO?
Ao contrário de muitos outros cancros, a origem do cancro do colo do útero não é hereditária. Este cancro é causado por um vírus, o Papilomavírus Humano, em 70-80% dos casos.
Certos tipos deste vírus são capazes de transformar as células do colo do útero, provocando lesões, que em alguns casos progridem para lesões cancerosas.
Esta progressão acontece apenas num número reduzido de casos e desenvolve-se ao longo de vários anos.

O QUE É O PAPILOMAVÍRUS HUMANO?
Na verdade, existem mais de 250 tipos de Papilomavírus Humano.
Os Papilomavírus tipos 6 e 11 são responsáveis pelas verrugas cutâneas, enquanto que os Papilomavírus tipo 16 e 18 colonizam preferencialmente a pele e mucosas.
Se entrarem em contacto com os órgãos genitais, estes vírus podem causar várias lesões do colo precursoras do cancro do colo do útero. Estas lesões se progredirem e não forem tratadas, evoluem para cancro. Estes vírus são transmitidos pelas relações sexuais. Os Papilomavírus infectam mulheres e homens, e a maioria de nós irá encontrar este vírus em algum momento da nossa vida.
Qualquer pessoa que já tenha tido alguma forma de contacto genital com um portador de Papilomavírus genital, pode estar infectado.
Isto significa que não é necessário ter relações sexuais frequentes para haver infecção. Numa única relação sexual se o parceiro estiver infectado a mulher pode fiar infectada.
Um estudo recente realizado na Europa, mostrou que 35% das jovens entre os 15 e os 17 anos estavam infectadas com Papliomavírus Humano, aumentando esta percentagem para 60% nas jovens de 19 anos de idade.

COMO SE PODEM DIAGNOSTICAR ESTAS DOENÇAS?
Como o cancro do colo do útero pode afectar todas as mulheres, o seu rastreio sistemático através de citologias regulares está implementado em muitos países.
A citologia consiste na recolha de uma amostra de células do colo do útero para consequente pesquisa de células com alterações. As anomalias cervicais causadas pelo Papilomavírus, que em geral não causam quaisquer sintomas na mulher, podem ser detectadas por esta forma.
A maioria das lesões regredirá naturalmente, dependendo do grau das lesões identificadas. O seu médico poderá optar por não intervir, mantendo sob vigilância o seu desenvolvimento natural, ou por removê-las com tratamentos específicos.

QUAIS OS TRATAMENTOS PARA ESTAS DOENÇAS?
Os tratamentos das lesões provocadas pelo H.P.V. são vários: criocoagulação, Vaporização Laser ou Conização (retirar um fragmento sob a forma de cone).
O tratamento da lesão é eficaz a curto prazo, mas pode ser doloroso e são comuns as situações de reaparecimento da doença.
Numa situação de cancro, os tratamentos são sempre longos e difíceis. Quer estejam envolvidos o colo do útero, a vagina ou a vulva (o cancro das duas últimas é o mais raro), e ou outros órgãos. Esses tratamentos podem ser: Cirurgia, Radioterapia e Quimioterapia com Radioterapia.

COMO ME POSSO PROTEGER?
O rastreio é essencial porque detecta alterações nas células numa fase precoce, permitindo que se evite a progressão para lesões cancerosas. No entanto, o rastreio não protege contra a infecção por Papilomavírus nem contra as alterações nas células.
A prevenção primária do H.P.V. tipos 16 e 18 é feita através de vacinação. O rastreio (diagnostico precoce e prevenção secundária) continua contudo a ser necessário para vigiar o aparecimento de alterações celulares. A combinação do rastreio e da vacinação deverão maximizar a eficácia no combate ao cancro do colo do útero.

QUANDO DEVE SER FEITA A VACINAÇÃO?
Uma vez que a infecção pelo vírus é mais frequente no inicio da vida sexual, a vacinação deverá ser feita em todas as mulheres entre os 12-26 anos. Contacte o seu médico para mais informações.
Adaptado para o blog por Mark Simões